Cloro na medida certa: como dosar sem chutar (e sem desperdiçar)
O que é cloro livre, cloro combinado e cloro total, qual a faixa ideal pra sua piscina e como calcular a dose exata pela litragem — de manutenção ao choque, sem queimar produto à toa.
O que o cloro faz (e por que “mais” nem sempre é melhor)
O cloro é o desinfetante que mantém a água segura: ele oxida sujeira orgânica (suor, protetor solar, folhas) e elimina bactérias e algas. Sem ele, a piscina vira um caldo verde em poucos dias de calor. Mas dose não é “quanto mais, melhor” — cloro alto demais irrita olhos e pele, desbota revestimento e é dinheiro jogado fora.
O segredo é manter o cloro livre numa faixa estável, não em picos. Cloro livre é a parte que ainda está disponível pra desinfetar. Quando ele reage com a sujeira, vira cloro combinado (as cloraminas, responsáveis pelo cheiro forte e pelo ardor nos olhos). A soma dos dois é o cloro total.
A faixa ideal: 1 a 3 ppm de cloro livre
Pra manutenção do dia a dia, mantenha o cloro livre entre 1 e 3 ppm (partes por milhão). Abaixo de 1 ppm a água fica vulnerável a algas; acima de 3 ppm você começa a desperdiçar e a agredir o revestimento.
Cloro combinado acima de 0,2 ppm é o sinal clássico de que está na hora de um choque: a água cheira a “cloro forte” justamente porque há cloramina demais — e isso quer dizer que falta cloro livre pra terminar o serviço, não que sobra.
- Cloro livre: 1 a 3 ppm na manutenção
- Cloro combinado: idealmente abaixo de 0,2 ppm
- Choque: elevar o cloro livre a 3–5 ppm de uma vez pra “zerar” a carga orgânica
- pH antes de tudo: entre 7,2 e 7,6, senão o cloro perde força
pH primeiro, cloro depois
Esse é o erro mais comum: jogar cloro com o pH desregulado. Com pH acima de 7,8, boa parte do cloro fica inativa — você gasta o dobro pra ter metade do efeito. Por isso a ordem certa é sempre ajustar o pH pra faixa de 7,2 a 7,6 e só então clorar.
Se a água estiver muito alcalina, a barrilha (carbonato de sódio) eleva o pH; se estiver ácida demais, um redutor traz de volta. Meça com um estojo de teste antes e depois — sem medir, é loteria.
Como calcular a dose exata pela litragem
A dose depende de quantos litros sua piscina tem e de quantos ppm você quer subir. A regra prática: para cada metro cúbico (1.000 litros), cerca de 1,7 g de cloro granulado dicloro elevam o cloro livre em 1 ppm. Numa piscina de 30 mil litros que precisa subir 2 ppm, isso dá aproximadamente 102 g.
Em vez de fazer essa conta na mão toda vez, use a calculadora de dosagem de cloro: você informa o volume e o quanto quer elevar, e ela devolve os gramas certos. Para o volume, se você ainda não sabe, a calculadora de volume resolve em segundos.
Granulado, pastilha ou gerador de sal?
Granulado (dicloro) é o mais versátil: dissolve rápido, ótimo pra choque e correções pontuais. Pastilha (tricloro) é de dissolução lenta, boa pra manutenção contínua no clorador flutuante ou no dosador — mas tende a baixar o pH com o tempo, então exige atenção redobrada ao equilíbrio.
Quem cansa de comprar e estocar cloro pode migrar pro gerador de cloro a sal, que produz o cloro na hora a partir do sal dissolvido na água. É um outro guia, mas vale citar: muda a rotina, não a química — você ainda controla pH e cloro livre do mesmo jeito.
- Granulado dicloro: choque e ajuste rápido, pH mais estável
- Pastilha tricloro: manutenção lenta, mas puxa o pH pra baixo
- Gerador de sal: produz cloro continuamente, menos compra/estoque
Erros que fazem você gastar cloro à toa
Clorar de dia com sol forte é o maior vilão: sem estabilizante (ácido cianúrico), o ultravioleta consome o cloro em poucas horas. Aplique sempre no fim da tarde, com a bomba ligada pra circular.
Outro erro é tratar sem filtrar: o cloro mata a alga, mas é o filtro que tira o corpo morto da água. Cloro forte com bomba parada deixa a água esverdeada e turva mesmo “cheia de cloro”. Trate e filtre juntos.
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